domingo, 24 de novembro de 2013

A História do Impresso

 Desde séculos passados, publicações tinham sido criadas e distribuídas regularmente pelos governos. As primeiras reproduções da escrita foram, sem dúvida, obtidas sob um suporte de (cera) ou de (argila) com os selos cilíndricos e cunhas, encontrados nas mais antigas cidades da Suméria e da Mesopotâmia do século XVII a. C.

 O jornal impresso resultou da soma de duas experiências: a da impressão tipográfica, de um lado, e a do jornalismo, até então manuscrito, de outro. Essa junção de experiências, entretanto, não se fez de repente. Bem ao contrário, ela resultou de um demorado processo. Enquanto os correios e as cartas estiveram engendrando as gazetas manuscritas, a tipografia exercitou-se na impressão de livros. Durante os cento e cinquenta anos iniciais da tipografia, nenhum jornal saiu de suas máquinas. Jornal, nesse período, era coisa de se fazer à mão.

 Quando ocorria um terremoto, ou a morte de um rei, ou o estouro de uma guerra, um acontecimento invulgar enfim, alguém redigia uma notícia relatando o acontecido e o tipógrafo a imprimia, a fim de vender as cópias. A relação não era um jornal pois, embora tivesse atualidade, faltavam-lhe a periodicidade e a variedade de matéria. Essa relação era a descrição de um fato excepcional, reproduzida à mão que vinha de tempos remotos. Com o passar do tempo, incrementada a troca de informações e cevados os leitores de atualidades pelas gazetas manuscritas, foi se tornando cada vez mais fácil vender relações impressas, produziram relações com mais frequência e em maior quantidade, vendendo-as mais facilmente, foram aumentando a dose. Em algumas cidades mais desenvolvidas, passaram, a editá-las tão amiudadas vezes que acabaram por transformá-las em publicações periódicas, pois obedeciam a uma periodicidade. Sem se dar conta, o tipógrafo começara a produzir o jornal.

 Na Roma Antiga, surgiu o primeiro “jornal” oficial de que se tem notícia, o Acta Diurna Populi Romani, relatos diários ao povo de Roma sobre eventos políticos e sociais, guerras, sentenças judiciais, execuções e escândalos no governo, ou seja, um boletim de anúncios do governo sendo esculpidos em metal ou pedra e exibidos em locais públicos. A publicação, havia sido fundada em 59 a.C. por ordem de Júlio César, trazendo a listagem de eventos ordenados pelo Ditador (conceito romano do termo). O primeiro jornal em papel, Notícias Diversas, foi publicado como um panfleto manuscrito a partir de 713 d.C., em Kaiyuan, em Pequim, na China. Kaiyuan era o nome dado ao ano em que o jornal foi publicado. Em 1041, também na China, foi inventado o tipo móvel. O alfabeto chinês, entretanto, por ser ideográfico e não fonético, utiliza um número de caracteres muito maior que o alfabeto latino europeu. No ano de 1908, os chineses comemoraram o milenário do jornal Ta King Pao (Gazeta de Pequim), apesar de a informação não ter comprovação absoluta.

Prensa
 Em 1440, Johannes Guttenberg desenvolve a tecnologia da prensa móvel, utilizando os tipos móveis: caracteres avulsos gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram rearrumados numa tábua para formar palavras e frases do texto. Foi inaugurada a era da impressão moderna, já que agora seria possível produzir e reproduzir volumes e impressos, como livros e jornais de forma mais rápida. Gutenberg imprimiu várias obras, mas sua obra mais famosa foi a Bíblia, de 42 linhas, cujo  processo se iniciou em 1450, tendo terminado cinco anos depois, em março de 1455. Uma cópia completa desta Bíblia, que marca o início da produção em massa de livros no Ocidente, possui 1282 páginas, com texto em duas colunas; a maioria era encadernada em dois volumes. A partir do século XVII, começaram a surgir as primeiras publicações periódicas e frequentes em países da Europa como Alemanha, França, Bélgica e Inglaterra. Em Londres, foi publicado o primeiro jornal com título, O Corante, em 1621. Dez anos depois, em 1631, surgia O Gazette, o primeiro jornal francês. Nessa época, os jornais traziam principalmente notícias da Europa, e de vez em quando, informações vindas da América ou Ásia. As notícias eram vinculadas ao interesse mercantil (chegada de navios, relato de guerras), eram periódicas e manuscritas. Os jornais ingleses, por exemplo, preferiam relatar derrotas militares sofridas pela França, enquanto os jornais franceses iam à forra e cobriam os mais recentes escândalos da família real inglesa.

Gutenberg e sua Bíblia inacabada

  Somente na segunda metade do século XVII é que os jornais começaram a focalizar assuntos mais locais, internos dos países. No entanto, havia restrições; a censura era algo normal e os jornais raramente podiam abordar eventos que pudessem incitar o povo a uma atitude de oposição.

 No século XIX, no ano de 1844, o telégrafo foi inventado, transformando a imprensa escrita. Agora, as informações eram transmitidas em questão de minutos, permitindo relatos mais atuais e relevantes. Em meados do século XIX, os jornais se tornaram o principal veículo de divulgação e recebimento de informações. As primeiras fotografias em jornal também surgiram no século XIX.

 Já no século XX, os jornais tiveram um papel importante na divulgação de propagandas revolucionárias. Entre eles estava o Iskra (A Centelha), fundado por Vladimir Lênin, em 1900, tendo se transformado em um importante veículo de propaganda comunista. Outro jornal de destaque foi o Thanh Nien no Vietnã, criado em 1925, e que apresentava o marxismo ao país.


Tipografia


O impresso no Brasil

O Brasil teve seu primeiro jornal impresso no ano de 1808, por causa da censura e da proibição de tipografias na colônia, impostas pela Coroa Portuguesa, quase simultaneamente, os dois primeiros jornais brasileiros: o Correio Braziliense, editado e impresso em Londres pelo exilado Hipólito da Costa; e completando 202 anos, teve sua primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro, tendo somente uma publicação oficial da Corte, proibido anteriormente qualquer forma de publicação impressa aos brasileiros.






Curiosidades

Daniel Defoe - o primeiro jornalista
* Gazeta era a moeda utilizada em Veneza, no século XVI, os manuscritos e periódicos custavam uma moeda, ou seja ,uma gazeta.

* No século XVI, a Igreja Católica se preocupava com o conteúdo dos impressos, tanto que, em 1501, o Papa Alexandre VI decretou que impressos teriam que ser submetidos à autoridade eclesiástica antes de sua publicação a fim de impedir heresias. O não cumprimento desse decreto levaria a multas ou excomunhão.

* O Post-och Inrikes Tidningar, da Suécia, é o jornal mais antigo do mundo ainda em circulação, tendo sido criado em 1645.

*O primeiro jornal a enviar correspondentes para dois lados de uma guerra foi o The Guardian, de Manchester, na Guerra Franco-Prussiana, em 1871.

* Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoe, é em geral reconhecido como o primeiro jornalista do mundo. Em 1704, ele iniciou a publicação Review, periódico que cobria assuntos europeus. Já em 1766, a Suécia tornou-se o primeiro país a aprovar uma lei que protegia a liberdade de imprensa.

* O jornal em alemão Relation aller Fürnemmen und gedenckwürdigen Historien, impresso a partir de 1605 por Johann Carolus em Estrasburgo, é normalmente reconhecido como o primeiro jornal da história


* O primeiro jornal em português foi fundado em 1641, em Portugal: era A Gazeta da Restauração, de Lisboa.



Post-och Inrikes Tidningar, da Suécia

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