Desde séculos
passados, publicações tinham sido criadas e distribuídas regularmente pelos
governos. As primeiras reproduções da escrita foram, sem dúvida, obtidas sob um
suporte de (cera) ou de (argila) com os selos cilíndricos e cunhas, encontrados
nas mais antigas cidades da Suméria e da Mesopotâmia do século XVII a. C.
O jornal impresso resultou da soma de duas
experiências: a da impressão tipográfica, de um lado, e a do jornalismo, até
então manuscrito, de outro. Essa junção de experiências, entretanto, não se fez
de repente. Bem ao contrário, ela resultou de um demorado processo. Enquanto os
correios e as cartas estiveram engendrando as gazetas manuscritas, a tipografia
exercitou-se na impressão de livros. Durante os cento e cinquenta anos iniciais
da tipografia, nenhum jornal saiu de suas máquinas. Jornal, nesse período, era
coisa de se fazer à mão.
Quando ocorria um terremoto, ou a morte de um
rei, ou o estouro de uma guerra, um acontecimento invulgar enfim, alguém redigia
uma notícia relatando o acontecido e o tipógrafo a imprimia, a fim de vender as
cópias. A relação não era um jornal pois, embora tivesse atualidade,
faltavam-lhe a periodicidade e a variedade de matéria. Essa relação era a
descrição de um fato excepcional, reproduzida à mão que vinha de tempos
remotos. Com o passar do tempo, incrementada a troca de informações e cevados
os leitores de atualidades pelas gazetas manuscritas, foi se tornando cada vez
mais fácil vender relações impressas, produziram relações com mais frequência e
em maior quantidade, vendendo-as mais facilmente, foram aumentando a dose. Em
algumas cidades mais desenvolvidas, passaram, a editá-las tão amiudadas vezes
que acabaram por transformá-las em publicações periódicas, pois obedeciam a uma
periodicidade. Sem se dar conta, o tipógrafo começara a produzir o jornal.
Na Roma Antiga,
surgiu o primeiro “jornal” oficial de que se tem notícia, o Acta Diurna
Populi Romani, relatos diários ao povo de Roma sobre eventos políticos e
sociais, guerras, sentenças judiciais, execuções e escândalos no governo, ou
seja, um boletim de anúncios do governo sendo esculpidos em metal ou pedra e
exibidos em locais públicos. A publicação, havia sido fundada em 59 a.C. por
ordem de Júlio César, trazendo a listagem de eventos ordenados pelo Ditador
(conceito romano do termo). O primeiro jornal em papel, Notícias Diversas,
foi publicado como um panfleto manuscrito a partir de 713 d.C., em Kaiyuan, em
Pequim, na China. Kaiyuan era o nome dado ao ano em que o jornal foi publicado.
Em 1041, também na China, foi inventado o tipo móvel. O alfabeto chinês,
entretanto, por ser ideográfico e não fonético, utiliza um número de caracteres
muito maior que o alfabeto latino europeu. No ano de 1908, os chineses
comemoraram o milenário do jornal Ta King Pao (Gazeta de Pequim), apesar
de a informação não ter comprovação absoluta.
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| Prensa |
Em 1440, Johannes Guttenberg desenvolve a
tecnologia da prensa móvel, utilizando os tipos móveis: caracteres avulsos
gravados em blocos de madeira ou chumbo, que eram rearrumados numa tábua para
formar palavras e frases do texto. Foi inaugurada a era da impressão moderna,
já que agora seria possível produzir e reproduzir volumes e impressos, como
livros e jornais de forma mais rápida. Gutenberg imprimiu várias obras, mas sua
obra mais famosa foi a Bíblia, de 42 linhas, cujo processo se iniciou em 1450, tendo terminado
cinco anos depois, em março de 1455. Uma cópia completa desta Bíblia, que marca
o início da produção em massa de livros no Ocidente, possui 1282 páginas, com
texto em duas colunas; a maioria era encadernada em dois volumes. A partir do
século XVII, começaram a surgir as primeiras publicações periódicas e
frequentes em países da Europa como Alemanha, França, Bélgica e Inglaterra. Em
Londres, foi publicado o primeiro jornal com título, O Corante, em 1621.
Dez anos depois, em 1631, surgia O Gazette, o primeiro jornal francês.
Nessa época, os jornais traziam principalmente notícias da Europa, e de vez em
quando, informações vindas da América ou Ásia. As notícias eram vinculadas ao
interesse mercantil (chegada de navios, relato de guerras), eram periódicas e
manuscritas. Os jornais ingleses, por exemplo, preferiam relatar derrotas
militares sofridas pela França, enquanto os jornais franceses iam à forra e
cobriam os mais recentes escândalos da família real inglesa.
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| Gutenberg e sua Bíblia inacabada |
Somente na
segunda metade do século XVII é que os jornais começaram a focalizar assuntos
mais locais, internos dos países. No entanto, havia restrições; a censura era
algo normal e os jornais raramente podiam abordar eventos que pudessem incitar
o povo a uma atitude de oposição.
No século XIX, no ano de 1844, o telégrafo foi
inventado, transformando a imprensa escrita. Agora, as informações eram
transmitidas em questão de minutos, permitindo relatos mais atuais e
relevantes. Em meados do século XIX, os jornais se tornaram o principal veículo
de divulgação e recebimento de informações. As primeiras fotografias em jornal
também surgiram no século XIX.
Já no século XX, os jornais tiveram um papel
importante na divulgação de propagandas revolucionárias. Entre eles estava o
Iskra (A Centelha), fundado por Vladimir Lênin, em 1900, tendo se transformado
em um importante veículo de propaganda comunista. Outro jornal de destaque foi
o Thanh Nien no Vietnã, criado em 1925, e que apresentava o marxismo ao país.
O impresso no
Brasil
O Brasil teve
seu primeiro jornal impresso no ano de 1808, por causa da censura e da
proibição de tipografias na colônia, impostas pela Coroa Portuguesa, quase
simultaneamente, os dois primeiros jornais brasileiros: o Correio
Braziliense, editado e impresso em Londres pelo exilado Hipólito da Costa;
e completando 202 anos, teve sua primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro,
tendo somente uma publicação oficial da Corte, proibido anteriormente qualquer
forma de publicação impressa aos brasileiros.
Curiosidades
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| Daniel Defoe - o primeiro jornalista |
* Gazeta era a
moeda utilizada em Veneza, no século XVI, os manuscritos e periódicos custavam
uma moeda, ou seja ,uma gazeta.
* No século XVI,
a Igreja Católica se preocupava com o conteúdo dos impressos, tanto que, em
1501, o Papa Alexandre VI decretou que impressos teriam que ser submetidos à
autoridade eclesiástica antes de sua publicação a fim de impedir heresias. O
não cumprimento desse decreto levaria a multas ou excomunhão.
* O Post-och
Inrikes Tidningar, da Suécia, é o jornal mais antigo do mundo ainda em
circulação, tendo sido criado em 1645.
*O primeiro
jornal a enviar correspondentes para dois lados de uma guerra foi o The
Guardian, de Manchester, na Guerra Franco-Prussiana, em 1871.
* Daniel Defoe,
autor de Robinson Crusoe, é em geral reconhecido como o primeiro jornalista do
mundo. Em 1704, ele iniciou a publicação Review, periódico que cobria assuntos
europeus. Já em 1766, a Suécia tornou-se o primeiro país a aprovar uma lei que
protegia a liberdade de imprensa.
* O jornal em
alemão Relation aller Fürnemmen und gedenckwürdigen Historien, impresso
a partir de 1605 por Johann Carolus em Estrasburgo, é normalmente reconhecido
como o primeiro jornal da história






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